27 de janeiro de 2017

Playlist: Músicas para escrever e se inspirar


Finalmente decidi criar uma playlist especial inspirada no tema do Blog. Foi com muito carinho e cuidado que selecionei mais de 20 músicas que fazem meu coração bater mais rápido.

Quando estou em processo de escrita a trilha sonora faz toda diferença e ajuda nos momentos em que a inspiração simplesmente desaparece. Não sei se com vocês também é assim, mas escutar músicas que eu nunca ouvi ou ao menos não escutei tantas vezes me ajuda a ter novas ideias e pensar de forma diferente.

Foi uma tarefa difícil, confesso, mas acho que a playlist será útil pra todo mundo. Nem que seja só pra conhecer um monte de banda legal ou lembrar de outras. Compartilho a minha playlist favorita com vocês, sintam-se à vontade pra ouvir!

Link da playlist no Spotify



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15 de janeiro de 2017

A solidão é um fardo e uma benção


  
arte: figura feminina em luz de vela, pelo pintor dinamarquês Carl Vilhelm Holsøe (1863–1935)


Dia desses, me disseram que levo jeito com as palavras, que tenho facilidade para me expressar. Agradeci, mesmo sabendo que escrevo justamente por não saber me expressar de outra forma. Eu converso, interajo, dou risada, mas sou vagante. Viajo, me sinto fora do ar, não estou ali de verdade. 

É difícil de explicar, por isso, escrevo. Escrevo porque, entre uma linha e outra, é onde eu me encontro comigo mesma. Escrevo porque não sei lidar com sentimentos, é mais fácil canalizá-los para um caderno, bloco de notas do celular, enfim, algum lugar onde eu não precise me preocupar se as palavras saem de forma confusa e desengonçada.

Escrevo para desatar os nós que insistem em se formar na minha garganta. Escrevo porque observo. Muito. Só quem é extremamente observador e detalhista sabe o que é reparar num tom de voz sutilmente mais rude do que de costume, saber que não fez diferença pra ninguém ao redor e, subitamente, ter a necessidade de despejar todas essas observações em algum lugar.

Não é questão de romantizar o cotidiano, escrever é uma forma de garantir que o "meu mundo" permaneça vivo em mim, nesse mundo. Escrevo porque é minha forma de encarar melhor as coisas, analisar "de fora" e tentar encontrar algum sentido naquilo tudo ou nisso tudo.

Escrevo porque aprecio a solidão. Não no sentido de eu odiar estar com outras pessoas, mas no sentido de eu ter percebido, há algum tempo, que só me aproximo de me compreender completamente quando só tenho a mim como companhia. No exato momento em que escrevi isso, minha companhia pode ser resumida a um álbum de Yann Tiersen tocando nos fones de ouvido e esse emaranhado de pensamentos que eu só consigo decifrar dessa forma. A solidão é um fardo e uma benção Escrever é eternizar o efêmero.


                                                                         
                                                                        

4 de abril de 2016

Domingo


Você não reparou no meu vestido e eu sai de casa sem me importar se era florido ou não. Aprendi a apreciar  minha companhia. Aqui fora, vejo no caos e toda a calmaria que não encontrei com você.

A verdade é que gosto de sair por aí, às vezes, sem rumo quando as coisas não estão muito bem. Amo minhas expectativas, mas elas também me decepcionam. Vivo procurando por lugares calmos, aprecio nos detalhes as coisas que você não repara. É que, às vezes, preciso de uma pausa. Assim, comigo, e assim, com você. 

Me encontro até nesses pequenos detalhes, nessa preferência pelo “ora tudo e ora nada”. Não nos surpreendemos e tampouco fomos surpreendidos, mas estávamos assim, você lá e eu aqui, numa distância que não era física.




29 de janeiro de 2016

São tantos os porquês


Certo dia, alguém havia me perguntado o porquê do meu sumiço no Blog, e o porquê das minhas infinitas desculpas que sempre arranjava para não sair de casa a noite. Boa parte do meu tempo me dedico escrevendo e as desculpas eram sempre as mesmas, só não dizia que ainda estava escrevendo na madrugada porque sabia que alguém me chamaria de louca e de insociável. Talvez esse alguém, tenha sentido a minha falta.
Pra começar, são tantos os porquês e são tantas as perguntas sem respostas.
Não preciso de mais nada além de café e Tchaikovsky tocando, enquanto separo minhas xícaras. Adoro minhas crises melancólicas e a capacidade que elas fazem de querer não me deixar dormir a noite.  
Encontrar companhia nas palavras que escrevo, anotar minhas loucuras e guardar no fundo da gaveta, esperando que um dia, por acaso, que eu abra, ache, leia, e me sinta surpresa por elas finalmente terem algum sentido.
Falo sozinha, escrevo para me sentir menos patética e escrevo para fugir um pouco desse mundo cada vez mais confuso e de pessoas vazias.
A verdade é que eu nunca vou saber as respostas, nunca vou saber o que sou, o que quero, o que faço, e o que espero. A verdade é que eu só sei o que eu sinto. E tudo o que eu sinto me transborda.



23 de novembro de 2015

E de repente, eu não estava mais lá...



Da cidadezinha interiorana para uma selva selvagem da publicidade. Na cidade enorme, com números, contas, tendências, venenos, falta de tempo, muita fofoca, muito fofoqueiro, muitos bares, muitos carros, quilos a mais, segundo andar  e “bom dia meu amor” todos os dias.
Aprendendo a não precisar de ninguém, descobrindo que menos é mais, descobrindo que... O que eu estou fazendo aqui? Cadê a minha vida? Cadê todo mundo? E quando eu disse em voz alta, um amigo me respondeu: “ei, moça essa é a sua vida agora”. Milhares de respostas passaram pela minha cabeça, mas eu só consegui ficar parada, atônita.

24 de maio de 2013

Lembranças

                         

Te vejo em todos os lugares. No meu filme de romance favorito. No celular sem notificar as suas mensagens. Em algo engraçado que eu não vejo ninguém para compartilhar. Tem um pedaço de você, de nós, em todos os lugares. Mas nunca você por inteiro. Nunca sua mão entrelaçada com a minha. Nunca seus braços me protegendo do frio. Nunca você. Sempre alguma lembrança, alguma coisa que sempre me fazia rir e agora me faz lembrar. Sinto tantas saudades que a dor às vezes parece fazer parte de mim. Sinto saudades das declarações repentinas e no que eu acreditava durar muito mais nas horas. Lembro tanto de você. Seus defeitos, suas dúvidas, segredos, anseios e planos para o futuro. Mas, tudo se foi… E se ainda se vai, contigo... o que resta são… restos, apenas de uma lembrança, de um tempo que só sobrou saudades. Memórias distantes que ainda ferem o meu coração.

2 de dezembro de 2012

Caneta, papel e um coração...



Encontrei-me tantas vezes com uma vontade de traduzir em palavras meus sentimentos, então peguei a caneta e o papel, deixei meus dedos deslizarem as palavras. Algumas vezes, lágrimas rolaram junto, outras tantas, o sorriso não saía. Fechava os olhos e era como rodopiar em meia a um salão, com o vestido dos sonhos e a minha música favorita tocando no fundo. Algumas vezes, foram só desejos, sonhos, coisas que idealizei e inventei. Outras vezes, eram textos sobre como eu queria que tudo tivesse sido, sobre como pagava-me pensando na possibilidade de um dia acontecer daquela jeito. Tive medo de escrever porque eu não sabia exatamente o que estava sentindo, talvez queria fugir da verdade ou da realidade que eu queria mudar, talvez tinha medo de sentir o que não queria. Respirei fundo, e de repente, uma folha em branco estava cheia de letras: a caneta conduzida por uma mão e guiada por um coração. O meu coração.